Sexta-feira, Abril 20, 2012

Monólogos da Vagina


Fafy Siqueira, Chris Couto e Adriana Lessa

Eu estou preocupada com vaginas. Todas as mulheres deveriam se preocupar com vaginas.
Esse é o tema do espetáculo em ode a todas as vaginas, o qual é interpretado pela maravilhosa Fafy Siqueira, Chris Couto, pela qual fui surpreendida, e Adriana Lessa.

Baseado no livro  de Eve Ensler, que entrevistou mais de 200 mulheres para construir essa obra, a peça, que tem adaptação de Miguel Falabella, já está em cartaz desde 2000. Agora, se encontra no Teatro Brigadeiro de sexta a domingo.


Como o próprio nome já sugere, a peça é composta por vários monólogos, sendo eles, em sua maioria, de tom cômico, afinal é difícil levar a sério algo que leva o nome de vagina, venhamos a concordar.

O texto explora diferentes situações e contextos sobre as *perseguidas e de que como elas são muito pouco compreendidas e respeitadas pelas próprias mulheres.

O "sexo frágil" sempre aprendeu a se repreender sexualmente desde a infância, o que acaba se tornando um grande problema na vida adulta, uma vez que sentem-se envergonhadas ao falar sobre suas *pisiricas. Enquanto os homens medem o tamanho dos seus órgãos e fazem brincadeiras com eles, as meninas jamais a mostram ou falam diretamente sobre elas; afinal aprendemos que é feio fazer isso. Falamos de várias situações do nosso universo como menstruação, cólica, TPM e até algumas coisas relacionadas ao ato sexual, mas nunca sobre *perereca -  aposto que ao ler essas variações aqui que uso, já lhe causa um certo desconforto; ok que não são lindas palavras, mas é muito mais que isso...é o orgulho de termos uma vagina na mesma proporção dos homens tem de ter seus pênis.


Todo o espetáculo é voltado pra isso; fazer as mulheres amarem e respeitarem suas vaginas, com todos os defeitos e também com as qualidades. Afinal, temos que nos amar por inteira.


O que achei muito interessante é ver os homens da plateia se divertirem com o tema, mas não com um tom de desdém, mas como um certo aprendizado, porque essa peça em um certo ponto é uma aula para eles para entender como pensamos,como nos vemos e como somos vistas também.


Em relação a atuação das atrizes é, excelente, por sua grande maioria. A Fafy tem uma esponteinidade incrível, de uma naturalidade tamanha mesmo quando faz propaganda do patrocinador e de suas proprias personagens. Ela prende o público com seu carisma e simplicidade, as palavras proferidas por ela são diretas, claras e que cômicas ou não, elas te atingem de maneira certa, sem barreiras e sem pudor entre personagem e o público.


Fiquei supreendida com a atuação de Chris Couto. Tem uma boa presença, tem tempo de comédia e sabe também ser natural, mas sem o diferencial da Fafy de improvisar a todo o momento, mas isso também se deve a diferença de tempo de experiência, bom, assim prefiro pensar. Só um ponto negativo a ressaltar de um timming perdido que o público nem percebeu - ela acabou falando no mesmo momento em que o público aplaudia a deixa anterior e perdeu um " Me chupa?" que faz TODA a diferença!


Bom já Adriana Lessa, não senti naturalidade. O seu texto não se encaixou com o timing do gênero. Além disso, nunca pensei em ver uma velinha de 70 anos sentar e levantar em tamanha rapidez numa cadeira minúscula! As quebras de suas personagens eram rápidas, em cena mesmo. Mas acredito que tudo isso se deve  a falta de experiência, porque sua atuação na Tv é boa.


Mulheres, não, não só mulheres, mas homens também, comecemos agora a valorizar mais as vaginas. Se for muito difícil, assista os Monólogos e abra sua mente, suas pernas, suas vaginas para essa novo mundo.



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Terça-feira, Março 27, 2012

Hell

Bárbara Paz. Foto: João Caldas
Consumismo e drogas exacerbados misturados com álcool e caos. Resultado, Hell.
Essa jovem francesa representa toda a angustia que os excessos podem fazer na vida de uma pessoa.

Sozinha em seu apartamento, Hell, já apresenta ao público a desorganização de sua vida; roupas e sapatos largados ao chão que são trocados rapidamente entre um cigarro e outro. A sua fala é extremamente rápida,  deixando nós, público, atordoados. 

Todas as noites sai em busca de diversão, que nada mais representa o vazio em que se encontra. Dos homens, apenas uma noite nada mais. Até o dia que conhece Andrea, um casanova que tem como diversão sacanear as pessoas que considera inferior e sem conteúdo.

Os dois acabam por ficar juntos o que acaba por intensificar as angustias de Hell, que ouve da boca de seu amado que está apaixonado por outra. Ela sangra, sangra para encontrar conforto, que não encontra.

A interpretação de Bárbara Paz é sensacional. Uma dicção impecável ao "cuspir" as tristes palavras de sua personagem. Chora a todo o momento, e, com a ajuda da maquiagem, isso a leva a um estado caótico internamente e externamente. É incrível de se ver. É uma entrega total, tanto que, ao final do espetáculo, a atriz está tremendo e abalada. 

Hell representa uma meta que muita gente hoje em dia busca; ter dinheiro para ter o que quer, consumir sem que houvesse amanhã, além de drogas para anestesiar o vazio e os problemas que temos e tentamos esconder. É fácil, de alguma maneira, se identificar com ela.

A iluminação foi trabalhada com muitos blackouts e luzes avermelhadas. Outro ponto relevante, é a chama de seu cigarro aceso também utilizado passeando pelo palco. Muito cinematográfico, mas também é de se esperar já que o diretor do espetáculo nada mais é que Hector Barbenco.Além da adaptação e dramaturgia de Marco Antônio Braz.

A peça foi baseada no livro homônimo escrito por Lolita Pille que usou sua vida como inspiração para essa obra. 

Seguirá em cartaz até 15 de abril no Teatro Eva Herz. Valor da entrada, R$ 70.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2011

Cabaret

Jarbas Homem de Mello (Mestre de Cerimônia) e Claudia Raia (Sally Bowles)


Luxo. Entretenimento. Magia. Sedução. Amor.  Prepare-se para deparar-se com tudo isso e muito mais no espetáculo Cabaret, sucesso pelo mundo todo há mais de 45 anos e, tornou-se ainda mais conhecido após ser interpretado por Liza Minelli nas telas do cinema.


Adaptado pelo ator e diretor Miguel Falabella, o musical é estrelado pela bailarina e atriz Claudia Raia.
Ao entrar, o público já é acolhido por um ambiente envolvente dos anos 30. Além das poltronas, mesinhas ficam localizadas nas laterais, permitindo que o próprio público faça parte da apresentação.


Chegando  de trem a Berlim, o jovem norte-americano Cliff Bradshaw (Guilherme Mago) se depara com um estranho o coloca em uma situação muito agradável. Mas, para compensar, esse o arranja um quarto para ficar além de convidá-lo ir ai Kit Kat Club, um cabaret muito popular.


Não apenas Cliff, mas nós somos recebidos pelo Mestre de Cerimônia, interpretado belamente pelo ator Jarbas Homem de Mello. Ele é o responsável por nos conduzir por essa história.Logo a principio, já sentimos como é um cabaret. Além do MC, o local conta com outros dançarinos. 


Muito colorido, muita alegria e talento fazem com que a plateia fique contaminada pelas letras e coreografias, que podem ser vistas como imorais para aqueles que tem uma mente mais fechado e puritana; a sensualidade está por toda a parte.


Bradshaw vai até o club. Lá, conhece a irreverente Sally Bowles (Claudia Raia). Grande estrela do show, ela acaba se interessando pelo rapaz e, mesmo sabendo de sua homosexualidade, ela o seduz até que acabam se apaixonando. Eles vivem um amor cheio de exageros, bebidas e festas. Mas é, na verdade, um outro casal chama atenção pelo seu romantismo. Fäulein Schneider (Liane Maya), e o judeu, Herr Schultz (Marcos Tumura). Apesar de terem uma linda história de amor, logo eles se deparam com um grande obstaculo; o nazismo entra e cena, e já começa a mostrar suas garras, impedindo que o casamento deles se realize uma vez que Fäulein tem medo de perder o dinheiro que recebe do governo.


Ao perceber as mudanças que irão acontecer em Berlim, Bradshaw decide voltar para a América e levar sua amada, que possivelmente carrega seu filho. Sem aceitar a ideia de abandonar suas raízes, Sally tira a criança para que Cliff possa ir embora.


Ela não pode viver sem o sucesso, sem o glamour ilusório que a vida lhe oferece. Os figurinos usados pela atriz retratam muito bem isso. Praticamente a cada entrada ela usa algo diferente e extremamente elegante.


Existe muita interação com o público,o que nos leva mais ainda para o ambiente que a peça propõe. É interessante ver como as pessoas reagem a isso, com aquele medo de ser levado ao palco e passar por alguma situação constrangedora. Mas muito pelo contrário; os atores, mesmo em seus personagens extravagantes, são discretos  e até mesmo delicados.


Em 2h30 de espetáculo, Cabaret consegue mexer com todos os sentimentos. Momentos de alegria, tristeza, amor, emoção e até o questionamento político quando Hitler inicia sua campanha política - a maneira como isso afetou todas as pessoas que moravam na Alemanhã e, que toda a vida que existia até então, foi sugada pelo tirania do nazismo.


Fiquei encantada e maravilhada. Na verdade me surpreendi, não apenas com a interpretação de Claudia Raia,  que até então ainda não a tinha visto em cena, mas como os musicais aqui no Brasil tem sim capacidade de conquistar público. Claro que, a presença de nomes globais ajuda muito, mas o que realmente importa é que os envolvidos estejam bem preparados e à altura. 


O elenco também conta com Julio Mancini, Katia Barros,Alberto Goya, Alessandra Dimitriou, Carol Costa, Daniel Monteiro, Fabiane Bang, Hellen de Castro, Keka Santos, Leo Wagner, Luana Zenun, Luciana Milano, Marcelo Vasquez, Mateus Ribeiro, Rodrigo Negrini e Tomas Quaresma.


O que eu acho que ainda precisa ser reavaliado são os valores dos ingressos. Eu acredito que ainda sim pode ser possível levar todo e qualquer espetáculo para todos que tem fome de cultura. É preciso estudar a possibilidade de se criar temporadas com preços populares.


Nós, artistas, temos a responsabilidade de levar nossa arte para quem desejar tê-la.


Para quem se interessou, Cabaret está em cartaz no Teatro Procópio Ferreira até fevereiro de 2012, às quintas (21h), sextas (21h30), sábados ( 18h e 21h30) e aos domingos (18h). Os ingressos variam de R$ 40 a R$ 200.

Domingo, Novembro 27, 2011

O Cinema e Eu

Foto: Divulgação
De cinco anos para cá, o cinema nacional vem conquistando seu espaço no mercado, além, claro, dos aplausos do público mais exigente: os brasileiros. O longa Tropa de Elite, por exemplo, é um dos destaques da nova safra de grandes títulos. Dirigido por José Padilha, o filme arrebatou o público pela crítica social latente e por conta do protagonista Capitão Nascimento – vivido pelo ator baiano Wagner Moura. O jeito estourado do personagem, ao lidar com o crime e com as questões pessoais, cativou os espectadores de forma definitiva. Para qualquer ator, é sempre um desafio chegar até sua personagem. Como fazê-lo de uma maneira crível para que este chegue até os espectadores e os façam entender a vida daqueles que eles veem nas telas?

Além de jornalista, sou atriz e já fiz alguns cursos de interpretação. Grande parte deles são voltados para o método do russo Constantin Stanislavisk, que propõe uma atuação realista, na qual o ator deve estudar e buscar sua personagem dentre algumas “regrinhas” que esse sistema impõe, como ação exterior e interior – tudo aquilo que fazemos tem que ter um propósito – círculo de atenção e gênese da figura dramática. Há sempre, de alguma maneira, uma barreira que limita o ator e a do papel a ser interpretado.

Contudo, um novo método vem tomando conta do cinema nacional. Desenvolvido por Fátima Toledo, muitos diretores buscam o trabalho dessa alagoana na hora de preparar os atores que farão parte do elenco. Descoberta por Hector Babenco, Fátima pôde trabalhar com os jovens atores do filme Pixote, a Lei do Mais Fraco. Foi a partir daí que seu nome repercutiu e conquistou muitos diretores. Seu trabalho pode ser visto não apenas nas duas edições de Tropa de Elite, mas também em Cidade de Deus, Central do Brasil, Linha de Passe e Besouro.

Mas o que difere Fátima no mercado? Curiosa do jeito que sou, fui até seu studio na Vila Mariana, em São Paulo, para fazer um de seus cursos. Quem é ator, aposto que já deve ter ouvido algumas histórias estranhas sobre as aulas, como sair machucado e que o ator é exposto a situações-limite. Inclusive muitos têm medo. A própria atriz Alice Braga, que fez parte do elenco de Cidade Baixa, admitiu que chegou para a preparação receosa. Preciso confessar que eu tinha um certo medo, mas meu interesse em descobrir e vivenciar coisas novas era muito maior. O primeiro curso que fiz foi um workshop de apenas cinco dias. Quis primeiro sentir o gosto da coisa antes de investir em algo que não me agradasse.

Na primeira parte da aula, o preparador busca a limpeza do corpo do ator, com exercícios da bioenergética que ativam um estado de vibração exterior e interior. O corpo deve vibrar, literalmente, fazendo que ele fique vivo e pronto para o que for necessário. Em diferentes posições, vamos buscando esse ápice. Mas o mais importante, aqui, é você estabelecer uma conexão com seu parceiro. Todos os exercícios são feitos em dupla, e nunca pode haver uma quebra entre os olhares. Depois de suar a camisa, vamos para a meditação da kundalini que, por meio da movimentação do quadril, ativa-se uma energia adormecida em nosso corpo que está localizada no períneo, sendo percorrida por todo nosso corpo.

Na segunda parte da aula, vamos para as dinâmicas, ou seja, o preparador trabalha com alguns pontos cruciais do ser humano por meio de situações colocadas, como perda, solidão, busca de sonhos e conquistas – na qual os atores devem vivenciá-las sem construir histórias ou personagens; é o que a pessoa precisa e vive naquele momento.

Ai está o diferencial. Fátima busca a verdade e a sinceridade de nossos sentimentos. Sem histórias e sem personagens. Ela pede você ali, naquela situação, naquele momento, naquele dia. Tem que ter muito peito pra encarar seus medos e ser condizente com aquilo que você realmente é. A conexão que fazemos com nosso corpo e nossas sensações é imprescindível nessa busca.


Foi assim que o Capitão Nascimento nasceu. Ao ser pressionado por um comandante do Bope, quando teve que ouvir coisas não muito agradáveis sobre sua família, Wagner explodiu de uma tal maneira que foi naquele momento que a personagem veio à tona.

Mesmo não estando na preparação para um filme, eu tive a oportunidade de me conhecer de um outro ângulo. Dos dois cursos que fiz no studio, vi a Marilia em um momento extremamente frágil que só chorava mas, em um segundo momento, uma outra pessoa forte que busca conquistar seu espaço. Você é constantemente acionado a vivenciar tudo o que guarda dentro de si próprio.

Se você já pensou em fazer curso na metodologia criada pela Fátima, vá. Não é preciso ser ator. O primordial é você estar disposto a embarcar em uma jornada de encontro e experimentação de um você que ainda não conhece – ou, pior, que tem pavor de ser apresentado. O studio oferece cursos mensalmente. Quebre seus tabus e você não irá se arrepender.

Matéria realizada por mim para o Site Guia da Semana! http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Cinema/Noticia/O_Eu_e_o_cinema.aspx?id=77228