| Fafy Siqueira, Chris Couto e Adriana Lessa |
Eu estou preocupada com vaginas. Todas as mulheres deveriam se preocupar com vaginas.
Esse é o tema do espetáculo em ode a todas as vaginas, o qual é interpretado pela maravilhosa Fafy Siqueira, Chris Couto, pela qual fui surpreendida, e Adriana Lessa.
Baseado no livro de Eve Ensler, que entrevistou mais de 200 mulheres para construir essa obra, a peça, que tem adaptação de Miguel Falabella, já está em cartaz desde 2000. Agora, se encontra no Teatro Brigadeiro de sexta a domingo.
Como o próprio nome já sugere, a peça é composta por vários monólogos, sendo eles, em sua maioria, de tom cômico, afinal é difícil levar a sério algo que leva o nome de vagina, venhamos a concordar.
O texto explora diferentes situações e contextos sobre as *perseguidas e de que como elas são muito pouco compreendidas e respeitadas pelas próprias mulheres.
O "sexo frágil" sempre aprendeu a se repreender sexualmente desde a infância, o que acaba se tornando um grande problema na vida adulta, uma vez que sentem-se envergonhadas ao falar sobre suas *pisiricas. Enquanto os homens medem o tamanho dos seus órgãos e fazem brincadeiras com eles, as meninas jamais a mostram ou falam diretamente sobre elas; afinal aprendemos que é feio fazer isso. Falamos de várias situações do nosso universo como menstruação, cólica, TPM e até algumas coisas relacionadas ao ato sexual, mas nunca sobre *perereca - aposto que ao ler essas variações aqui que uso, já lhe causa um certo desconforto; ok que não são lindas palavras, mas é muito mais que isso...é o orgulho de termos uma vagina na mesma proporção dos homens tem de ter seus pênis.
Todo o espetáculo é voltado pra isso; fazer as mulheres amarem e respeitarem suas vaginas, com todos os defeitos e também com as qualidades. Afinal, temos que nos amar por inteira.
O que achei muito interessante é ver os homens da plateia se divertirem com o tema, mas não com um tom de desdém, mas como um certo aprendizado, porque essa peça em um certo ponto é uma aula para eles para entender como pensamos,como nos vemos e como somos vistas também.
Em relação a atuação das atrizes é, excelente, por sua grande maioria. A Fafy tem uma esponteinidade incrível, de uma naturalidade tamanha mesmo quando faz propaganda do patrocinador e de suas proprias personagens. Ela prende o público com seu carisma e simplicidade, as palavras proferidas por ela são diretas, claras e que cômicas ou não, elas te atingem de maneira certa, sem barreiras e sem pudor entre personagem e o público.
Fiquei supreendida com a atuação de Chris Couto. Tem uma boa presença, tem tempo de comédia e sabe também ser natural, mas sem o diferencial da Fafy de improvisar a todo o momento, mas isso também se deve a diferença de tempo de experiência, bom, assim prefiro pensar. Só um ponto negativo a ressaltar de um timming perdido que o público nem percebeu - ela acabou falando no mesmo momento em que o público aplaudia a deixa anterior e perdeu um " Me chupa?" que faz TODA a diferença!
Bom já Adriana Lessa, não senti naturalidade. O seu texto não se encaixou com o timing do gênero. Além disso, nunca pensei em ver uma velinha de 70 anos sentar e levantar em tamanha rapidez numa cadeira minúscula! As quebras de suas personagens eram rápidas, em cena mesmo. Mas acredito que tudo isso se deve a falta de experiência, porque sua atuação na Tv é boa.
Mulheres, não, não só mulheres, mas homens também, comecemos agora a valorizar mais as vaginas. Se for muito difícil, assista os Monólogos e abra sua mente, suas pernas, suas vaginas para essa novo mundo.
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